segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Há uma guerra civil em curso no Brasil

Chocado! Talvez não haja palavra mais forte pra descrever o que sinto. Talvez até haja, mas não encontro-a para demonstrar o tamanho da sensação de impotência que sinto diante de tanta barbaridade à minha volta. Acontece que estamos muito acostumados com números e até nos acomodamos depois de muito bafafá dos jornais e dos meios de comunicação em geral. Mas só sabe o que esses números representam quando se vive na capital mais violenta do Brasil. Chamarei de Fortaleza esse lugar. Aqui a violência é distribuída uniformemente entre todos os estratos sociais. Não há distinção de cor, raça, sexo, religião. Todos tomam sua dose diária.

Hoje a violência bateu à minha porta. Sem ter conhecimento, fui perseguido e quase alvejado por dois bandidos que me confundiram com outra pessoa. Por sorte, um deles me reconheceu e fui poupado (e minha namorada também que estava comigo no carro). Fui avisado por vizinhos do acontecido. Fiquei incrédulo, trêmulo logo em seguida. Como eu, que sempre fiz de tudo pra ser uma pessoa direita, correta, poderia ter um fim assim? E se não tivesse tido essa sorte de ser reconhecido, o que aconteceria em seguida? Por que essas coisas acontecem cada vez mais? QUEM É O CULPADO? Essas perguntas ficaram pertinentes em minha mente. Não paro de pensar em minha mãe. Como ela ficaria se isso tivesse acontecido?

O fato é que não há o que se falar em liberdade no Brasil. E se não me permitem falar por toda uma nação, falo com propriedade de Fortaleza. Tentem pedir uma informação a noite a qualquer pessoa numa rua de Fortaleza. Se ela não sair correndo, sem dúvida irá tomar toda cautela antes de ouvir o que você tem pra dizer. Exite o terror implantado nas pessoas em Fortaleza. E temo que isso durará gerações até que elas retomem a confiança nas ruas. O que eu quero dizer é que, mesmo que do dia pra noite a violência seja extinta, não se retomará a confiança nas pessoas tão facilmente e isso levará tempo.

O pior de tudo é analisar que há dez anos as coisas pareciam mais tranquilas - e não eram. É que agora está muito pior. Assim é fácil de supor que daqui a dez anos será pior. Embora todo o investimento feito em segurança pública. E isso só me faz supor novamente que esse investimento está equivocado por não trazer bons resultados, nem perspectivas de que vai melhorar. Outro dia vi uma governadora de um Estado dizer (se eu não me engano, foi Roseana Sarney, ex-governadora do Maranhão) que a culpa da violência era da boa fase econômica que o Brasil passava. Ora, totalmente sem sentido. O crescimento econômico por si só não pode ser o motivo do aumento na criminalidade. Se há bonança econômica e distribuição de renda (como há, vide Bolsa Família) e as necessidades básicas de uma pessoa é suprida, a tendência é exatamente ser o contrário, de cair os índices de criminalidade (falando "grosseiramente"). Por ignorar fatos tão primários como esse é que chego a conclusão de que nossos líderes estão tomando caminhos errados que não nos ajudará a reduzir a criminalidade, nem pra daqui há dez anos (ou vinte).

E assim, totalmente descrente, como bom e assustado fortalezense que sou, é que recomendo para todos os que tem intenção em conhecer minha cidade: privem-se disso. Quem sabe ir pra alguns lugares de Israel, Iraque ou Ucrânia seja menos arriscado. Não vale a pena. A violência está em todos os cantos dessa cidade e não há ninguém capaz de lhe ajudar. E se você, assim como eu, mora em uma das muitas cidades violentas do Brasil, e que deixam qualquer cidade em zona de guerra no chinelo, saia daqui se você puder. A não ser que você seja um corrupto subornador e que sabe tirar vantagem ao famoso estilo "jeitinho brasileiro". Se for, esse é o seu lugar mesmo.

Livre de doença, com sorte, não morrerei amanhã.

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