
Mais uma vez o Big Brother está no ar. Qual é a novidade nisso? Décima primeira edição de puro teatrinho de fantoches. Antes, nas primeiras edições do programa, quando o Boninho e cia. ainda não tinham muita experiência em manipulação de pessoas confinadas, armavam alguma coisa, uma festa por exemplo, e esperavam ansiosos para saberem qual seria a atitude de cada competidor. Novidade na época em que foi lançado (seria mais novidade ainda se o tio Silvio não tivesse colocado a Casa dos Artistas antes no ar) isso rendia boa audiência. Hoje a história é outra. Foi integrado à produção do Big Brother roteirista, maquiadores, criaram-se os núcleos de fotografia, edição... agora o BBB virou um programa profissional. O roteiro previamente elaborado dão o norte para os confinados.
Mais do que mostrar um programa que engana o público - sim, porque o que você vê não é a vontade dos competidores e sim de seus criadores - o BBB mostra a crise de pouco conteúdo da TV brasileira. Começa no BBB, passa pelos tenebrosos programas dominicais e termina nos telejornais. Tá tudo podre. Mas não é só isso. A rede de televisão do pastor quer copiar o "sucesso" da rede do falecido jornalista. Telejonais são feitos a la Fantástico, são gastos quinquilhões de reais para igualar as superproduções de novelas globais, maior parte financiada pelos bolsos dos generosos fiéis. Mas os programas dominicais, esses, são feitos à moda do SBT do Silvio, a inspiração vem de lá. O pastor só ainda não se deu conta de que a Globo não tem o que copiar, possui conteúdo oco. A emissora do pastor tá indo pelo mesmo caminho transformando a TV brasileira num buraco. Nem a Globo News, direcionada para aqueles que andam de focinho levantado escapou.
Quer ter uma prova de que realmente estamos vivendo uma crise de conteúdo na TV? Basta ver o Fantástico. Você imagina quadros como Menina Fantástico, Bola cheia e bola murcha, e outros que são feitos dependendo da modinha que rola no momento, há uns 15 anos atrás? Impossível. O Fantástico era apresentado pelos melhores jornalistas da Globo. Hoje pode ser qualquer um, pode até ser eu ou você, basta saber encher linguiça. Outro agravante para a Globo e que me incomoda um pouco é o fato de a Globo só se referir à ela mesma. A televisão para a Globo é a Globo e alguns canais estrangeiros. A comemoração dos 50 anos da televisão brasileira começou com a Tupi, passou pela Globo e terminou aí. É uma visão bem limitada mesmo.
Os programas de domingo são algo à parte. Na emissora do pastor, por exemplo, as mulheres são liberadas para mostrar tudo em troca da audiência. Mas lá ninguém se preocupa com os pecados. Esses são perdoados com a chegada da rentável madrugada. Aliás é a madrugada mais rentável de todas as TVs do Brasil. Com relação ao Faustão eu me indago todos os domingos "Meu Deus, até quando...". Por falar em Faustão, vou fazer minha previsão sobre sua substituição (e que isso ocorra logo): Luciano Huck irá substituir o Faustão, isso é certo. E bem que poderiam fazer logo isso. É fácil. Aliás, se retirassem o programa do Faustão do ar e colocassem uma tela escura como se fosse o vazio do espaço no lugar do programa dele, ninguém sentiria falta.
E o que seria uma TV com conteúdo pra mim? Bom, não interessa. Eu tenho minhas preferências. O fato é que, do jeito que tá está péssimo.
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